X Games League: Bob Burnquist comanda time São Paulo em nova era dos esportes de ação

X Games League: Bob Burnquist comanda time São Paulo em nova era dos esportes de ação

O X Games está de cara nova. A tradicional competição de esportes radicais anunciou uma reformulação completa de seu formato e lançou a MoonPay X Games League (XGL), uma liga por equipes que promete transformar o skate e o BMX em um esporte ainda mais próximo das grandes ligas profissionais. O draft inaugural aconteceu em Los Angeles, em 13 de março de 2026, marcando o início de um novo capítulo para o torneio mais famoso dos esportes de ação.

O modelo, inspirado nas franquias da NBA e da NFL, divide os atletas em quatro equipes globais: XC São Paulo, XC Nova York, XC Tóquio e XC Los Angeles. Cada time é formado por dez atletas — cinco homens e cinco mulheres —, com pelo menos três especialistas em BMX. Além disso, todos os atletas draftados assinam contratos de dois ou três anos e passam a receber um salário fixo de 30 mil dólares, além de cobertura de viagens e hospedagem.

Bob Burnquist assume o comando do X Games Club São Paulo

A grande novidade brasileira dentro da XGL é a presença de Bob Burnquist como General Manager do X Games Club São Paulo. O maior medalhista da história do X Games — com 30 pódios conquistados entre 1995 e 2015, sendo 14 ouros, 8 pratas e 8 bronzes —, Burnquist não está mais sobre a prancha, mas permanece como figura central da competição. Dessa forma, ele assumiu papel estratégico na construção do elenco que representará o Brasil e a capital paulista na nova liga.

Burnquist foi voz ativa no refinamento do formato ao longo de meses de reuniões com a nova direção do X Games. Para ele, a simplicidade do modelo é um ponto forte. O skatista explica que a estrutura mantém tudo o que já funcionava — as modalidades, os julgamentos, as medalhas individuais — e adiciona apenas uma camada de pontuação coletiva por cima, sem complicar o que já é familiar ao público.

No draft, cada clube seleciona seus atletas em rodadas alternadas. O primeiro colocado da tabela na temporada herda a pontuação do melhor atleta de sua equipe em cada modalidade, ao longo das três etapas do calendário: Sacramento (EUA), Chiba (Japão) e Nova Orleans (EUA).

Gui Khury é a primeira escolha; elenco reúne talentos globais

Com as escolhas de número quatro e cinco no draft, Burnquist abriu a lista do X Games Club São Paulo com o nome de Gui Khury, prodígio brasileiro do skate de apenas 17 anos. A seleção reforça a aposta em uma nova geração que já domina as competições internacionais. Em seguida, Bob escolheu Sky Brown, skatista japonesa-britânica também de 17 anos, consolidando um elenco jovem e de altíssimo nível técnico.

O elenco completo do time paulista inclui, ainda, Ryan Williams (BMX, Austrália), Ibuki Matsumoto (skate, Japão), Queen Saray Villegas (BMX, Colômbia), Garrett Reynolds (BMX, EUA), Giovanni Vianna (skate, Brasil), Gabriela Mazetto (skate, Brasil), Luigi Cini (skate, Brasil) e Raicca Ventura (skate, Brasil). Ao todo, cinco brasileiros compõem o elenco — metade do time. Entretanto, o brasileiro Felipe Mota, de 19 anos, foi draftado pelo X Games Club Los Angeles.

Sobre suas escolhas, Burnquist ressalta que não se guia por estatísticas, mas pela leitura qualitativa de cada atleta. Para ele, o skate nunca foi geográfico: o que importa é a forma de andar, a visão e o caráter do competidor sobre a prancha.

Uma nova geração no centro das atenções

A X Games League escancarou o protagonismo dos jovens nos esportes de ação. No X Games Club São Paulo, a idade média do elenco gira em torno de 23 anos, e cinco dos dez atletas têm menos de 23. Burnquist elogiou tanto Gui Khury quanto Rayssa Leal — que, apesar de não ter sido draftada, é vista pelo ex-skatista como um dos maiores nomes da nova geração mundial.

Consequentemente, a XGL chega em um momento em que o skate brasileiro vive uma fase de alta exposição global, sobretudo após os resultados nas Olimpíadas de Paris 2024. O Brasil, ao lado do Japão e dos Estados Unidos, é apontado como um dos polos dominantes do esporte atualmente.

O modelo de franquia também traz segurança financeira inédita para os atletas. Burnquist relembra que, durante sua carreira, competir sem garantias era a regra — e que lesões podiam custar mais do que qualquer prêmio conquistado. A XGL inverte essa lógica, sobretudo para os talentos mais jovens que ainda constroem suas carreiras.

Brasil como palco: o sonho de Burnquist

Com a X Games League em andamento, o olhar de Bob Burnquist já aponta para o futuro. O General Manager do Clube São Paulo declara abertamente o desejo de trazer uma etapa da competição para a capital paulista. Para ele, se o time leva o nome de São Paulo, nada mais natural do que eventualmente realizar um evento na cidade.

A expansão é parte do plano da XGL a médio prazo. A liga já confirmou uma edição de inverno para 2027, que incluirá esqui e snowboarding, com novos clubes e novas cidades. Portanto, o crescimento da competição pode abrir espaço para que o Brasil entre definitivamente no calendário global dos esportes de ação.

Por fim, a MoonPay X Games League não representa apenas uma mudança de formato — é uma aposta estrutural no futuro dos esportes radicais como produto de entretenimento global, com atletas contratados, franquias identificadas com cidades e uma temporada que promete engajar fãs do skate e do BMX em todos os continentes.

Lia

Lia

Lia é uma apaixonada redatora e exploradora das palavras, com formação em Comunicação Social. Com experiência em diversos meios digitais, Lia traz um olhar curioso e uma escrita envolvente para nossos leitores.

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