Caso Banco Master: como a fraude nos consignados foi feita

Caso Banco Master: como a fraude nos consignados foi feita

O caso Banco Master voltou a dominar o noticiário econômico nesta semana. A Polícia Federal detalhou como a instituição teria usado uma empresa de fachada para simular bilhões de reais em créditos consignados. Além disso, um novo depoimento revelou que um ex-diretor do Banco Central já sabia de irregularidades no banco muito antes da denúncia formal ao Ministério Público Federal. Dessa forma, o episódio ganha contornos ainda mais graves. Ele une fraude financeira e suspeita de omissão dentro do próprio órgão regulador.

Enquanto isso, o mercado financeiro também reagiu ao clima de instabilidade. O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira (11). Temores políticos ligados ao caso e o recuo das commodities pressionaram o índice, mesmo com a alta das bolsas em Nova York e a deflação do IPCA de agosto.

O que a Polícia Federal descobriu sobre o Banco Master

Segundo relatório pericial da PF, o Banco Master usou a empresa Tirreno Consultoria para simular a origem de R$ 7,155 bilhões em empréstimos consignados. Daniel Vorcaro controlava o banco na época. A Tirreno surgiu em outubro de 2024 com apenas R$ 100 de capital social. Os sócios integralizaram somente R$ 10 desse valor.

De fato, a Tirreno não tinha sede própria nem funcionários registrados. Sua estrutura também não era compatível com contratos bilionários. Ainda assim, o Master lançou mais de 1 milhão de contratos no sistema interno do banco. Esses registros formaram uma carteira de crédito atribuída à empresa. Consequentemente, o dinheiro nunca saiu do controle do Master: os valores existiam apenas como registros contábeis internos, sob a rubrica “venda de ativos”.

Por outro lado, a investigação identificou padrões incomuns nos contratos. Muitos valores se repetiam milhares de vezes. Além disso, alguns supostos empregadores usavam CNPJs que nem existiam na Receita Federal. O próprio Master produzia os documentos de formalização, como procurações e cédulas de crédito, em escala e com ferramentas internas.

Impactos da fraude e o papel do BRB

O Master revendia os créditos atribuídos à Tirreno ao Banco de Brasília (BRB). Muitas vezes, essa revenda ocorria no dia útil seguinte à criação do registro. No entanto, quando o BRB e a auditoria externa passaram a exigir documentos comprobatórios, a PF identificou a produção de arquivos falsos para atender às cobranças.

Ainda assim, ferramentas internas de compliance do Master classificaram a Tirreno como de alto risco para lavagem de dinheiro. Apesar disso, um escritório externo, contratado diretamente pela diretoria, conduziu essa análise. A equipe de compliance interna não participou do processo. Em julho de 2025, um comitê decidiu baixar os alertas de irregularidade. Esse comitê também não comunicou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre o caso.

O papel do Banco Central e a suspeita de propina

Paralelamente ao caso dos consignados, um novo depoimento trouxe à tona outra dimensão do escândalo. O ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza está afastado sob suspeita de corrupção. Ele afirmou à PF que sabia de uma fraude de R$ 11,5 bilhões no Master pelo menos um ano antes da denúncia ao Ministério Público Federal. O esquema envolvia o uso de papéis do extinto banco Besc, sem valor real, para desviar recursos.

Segundo o relato, o departamento de Paulo Sérgio só formalizou a comunicação em novembro de 2025. Porém, ele já sabia de parte da fraude desde setembro de 2024. Além disso, ele e outro ex-servidor, Belline Santana, são suspeitos de receber propina do Banco Master. Paulo Sérgio teria recebido R$ 4,5 milhões, enquanto Belline teria recebido R$ 13,5 milhões. Diante disso, a PF convocou executivos para depor como testemunhas. Entre eles estão André Esteves, do BTG Pactual, o presidente do BC Gabriel Galípolo e seu antecessor, Roberto Campos Neto.

Panorama econômico e político do caso Banco Master

O caso Banco Master não afeta apenas o sistema financeiro. Ele também repercute na política e nos mercados. Por fim, vale destacar que o Ibovespa recuou na sexta-feira em meio a ruídos políticos ligados ao episódio. Ainda assim, dados de inflação mais fracos nos Estados Unidos e no Brasil deram algum fôlego à bolsa brasileira.

Sobretudo, os desdobramentos das investigações devem seguir influenciando o ambiente regulatório do setor bancário. Reguladores podem mudar os processos de supervisão do Banco Central. Além disso, instituições financeiras podem enfrentar novas exigências de compliance. Assim, o caso Banco Master se consolida como um dos episódios mais complexos de fraude financeira e suposta corrupção estatal dos últimos anos no Brasil.

Lia

Lia é uma apaixonada redatora e exploradora das palavras, com formação em Comunicação Social. Com experiência em diversos meios digitais, Lia traz um olhar curioso e uma escrita envolvente para nossos leitores.

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