Liquidação do Will Bank afeta 1.200 funcionários e mobiliza R$ 6 bilhões do FGC
A decretação de liquidação extrajudicial do Will Bank pelo Banco Central do Brasil provocou um forte impacto no mercado financeiro e no setor de tecnologia financeira. Além do bloqueio das operações da instituição, a medida resultou na demissão de cerca de 1.200 funcionários, encerrando de forma abrupta as atividades de um dos bancos digitais mais conhecidos do país.
A decisão do Banco Central foi anunciada em 21 de janeiro de 2026, após a identificação de insolvência patrimonial, incapacidade de honrar compromissos financeiros e falhas graves de governança. Com isso, o Will Bank teve sua licença cassada, ficando impedido de realizar qualquer nova operação financeira.
Banco Central decreta liquidação e afasta diretoria
Segundo o Banco Central, a liquidação extrajudicial foi adotada como medida extrema para proteger os clientes e preservar a estabilidade do sistema financeiro nacional. A diretoria e o conselho de administração do Will Bank foram afastados, e um liquidante foi nomeado para conduzir o encerramento ordenado das atividades.
O órgão regulador destacou que a instituição já apresentava dificuldades financeiras relevantes, agravadas por problemas de capitalização e pelo rápido crescimento sem a sustentação adequada de recursos próprios. O banco fazia parte do grupo controlado pelo empresário André Esteves Vorcaro, por meio da Will Financeira.
Clientes terão valores ressarcidos pelo FGC
Um dos principais pontos de atenção após a liquidação é a situação dos clientes. De acordo com informações oficiais, o Will Bank possuía cerca de R$ 6 bilhões investidos por correntistas, valor que será coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos.
O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, considerando a soma de depósitos e investimentos elegíveis, como CDBs, LCIs, LCAs e contas de pagamento remuneradas. O processo de ressarcimento deve ocorrer de forma automática, sem necessidade de ação judicial por parte dos clientes, respeitando os prazos operacionais do fundo.
Como funciona o pagamento aos clientes
- O FGC identifica automaticamente os clientes elegíveis
- Os valores são pagos até o limite garantido por CPF ou CNPJ
- O crédito pode ser feito em outra instituição indicada pelo cliente
- Aplicações acima do teto entram no processo de liquidação judicial
Demissão de 1.200 funcionários agrava impacto social
Além dos efeitos financeiros, a liquidação do Will Bank gerou forte repercussão no mercado de trabalho. Cerca de 1.200 funcionários foram desligados, incluindo profissionais das áreas de tecnologia, atendimento, marketing, compliance e operações.
O encerramento repentino das atividades pegou muitos colaboradores de surpresa. Parte dos funcionários relatou que o banco seguia com operações aparentemente normais até poucos dias antes da intervenção. O caso reacende o debate sobre a sustentabilidade do modelo de crescimento acelerado adotado por alguns bancos digitais no Brasil.
Pressão adicional sobre o Fundo Garantidor de Créditos
Com a liquidação do Will Bank, o volume de recursos mobilizados pelo FGC aumentou de forma significativa. Segundo estimativas do mercado, o episódio elevou o total de pagamentos recentes do fundo para aproximadamente R$ 47 bilhões, considerando outros casos relevantes, como o da financeira Master.
Especialistas avaliam que, apesar do impacto expressivo, o FGC possui estrutura e patrimônio suficientes para absorver o choque, sem comprometer a confiança no sistema bancário. Ainda assim, o episódio reforça a necessidade de maior rigor regulatório e transparência nas instituições financeiras digitais.
O que acontece agora com o Will Bank
A partir da liquidação, o Will Bank entra em fase de encerramento definitivo. Ativos serão vendidos para pagamento de credores, contratos serão analisados individualmente e eventuais valores excedentes poderão ser disputados judicialmente. A marca deixa de operar, e seus serviços são descontinuados.
Para os clientes, a orientação é acompanhar os comunicados oficiais do Banco Central e do Fundo Garantidor de Créditos, além de manter dados cadastrais atualizados para garantir o recebimento dos valores devidos.
