Cantor Rick morre em queda de helicóptero em Santa Catarina
O cantor Rick, da dupla sertaneja Rick e Renner, morreu após a queda de helicóptero que caiu na Serra Catarinense. O Corpo de Bombeiros de Santa Catarina confirmou a morte na tarde de terça-feira (22), cerca de 24 horas depois do desaparecimento da aeronave. Além do artista, outras quatro pessoas estavam a bordo e também não sobreviveram.
Dessa forma, a tragédia encerrou uma operação intensa de buscas que mobilizou bombeiros, drones e a Força Aérea Brasileira desde a segunda-feira (21).
Como aconteceu a queda de helicóptero
A aeronave, um Bell 430, decolou de Porto Belo, no litoral catarinense, por volta das 10h30 de segunda-feira, com destino a São Joaquim, na Serra. O trajeto tinha cerca de 190 quilômetros. No entanto, o helicóptero perdeu contato ainda na tarde do mesmo dia.
Bombeiros localizaram os destroços apenas na manhã de terça-feira, na localidade de Santa Bárbara, em Urubici. Segundo as equipes, a aeronave estava de ponta para baixo, como se tivesse caído na vertical. Os socorristas encontraram dois corpos dentro da cabine, enquanto os outros três estavam no solo, próximos à vegetação.
Além de Rick, morreram o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Avelar, aliás, era próximo da família de Neymar e apresentava leilões beneficentes do instituto do jogador.
O papel de uma mensagem de celular nas buscas
Por outro lado, um detalhe técnico se mostrou decisivo para encontrar o local do acidente. Segundo o tenente-coronel Hugo Manfrin, do Corpo de Bombeiros Militar, o piloto havia compartilhado sua localização em tempo real com um sobrinho antes da decolagem.
Quando a aeronave desapareceu, o sobrinho enviou uma mensagem de WhatsApp que não chegou ao celular do piloto de imediato. Somente às 1h52 da madrugada de terça-feira o aparelho recebeu a mensagem, e o sistema de localização “buscar celular” atualizou a posição, apontando a região onde, de fato, estavam os destroços. Ainda assim, o cruzamento de sinais de celular com torres próximas também ajudou a limitar a área de busca.
Consequentemente, a operação empregou três helicópteros, mais de 20 bombeiros militares e comunitários, cães farejadores e drones com câmeras térmicas, além de enfrentar chuva forte, nevoeiro e terreno montanhoso de difícil acesso.
Impactos e investigação do acidente
O acidente já provocou desdobramentos imediatos. As equipes retiraram os corpos com o uso de cordas, devido ao relevo acidentado, e os encaminharam ao Instituto Médico Legal de Florianópolis para identificação oficial. Entretanto, as autoridades ainda não esclareceram as circunstâncias da queda.
A investigação ficará a cargo do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), de Brasília, em conjunto com o Seripa V, de Canoas (RS). Equipes devem usar um scanner 3D para mapear o terreno e reconstituir o momento do impacto. Segundo a Força Aérea Brasileira, a apuração não tem prazo definido para conclusão.
Vale destacar que, conforme a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a situação do helicóptero era regular, com certificado de aeronavegabilidade válido até agosto de 2027. Ainda assim, a Anac não autorizava o modelo a operar como táxi aéreo nem em voos de instrução, o que pode ser um ponto relevante para a investigação.
Quem foi Rick, da dupla Rick e Renner
Geraldo Antônio de Carvalho, o Rick, nasceu em dezembro de 1966, no Tocantins, e completaria 60 anos ainda este ano. Rick formou a dupla com Ivair Reis Gonçalves, o Renner, em Brasília nos anos 1980, e os dois ganharam projeção nacional na década seguinte, antes da explosão do sertanejo universitário.
Entre os maiores sucessos da carreira estão “Ela É Demais” e “Nos Bares da Cidade”, canções que marcaram gerações de ouvintes do gênero sertanejo. Por fim, a morte do cantor gerou grande repercussão nas redes sociais e comoveu fãs e colegas de profissão, reacendendo o debate sobre segurança na aviação de pequeno porte no Brasil.
