Hipertensão em brasileiros cresce e acende alerta na saúde pública
A hipertensão arterial continua em expansão no Brasil e já afeta quase 30% da população adulta. Os dados fazem parte do Vigitel, sistema de vigilância do Ministério da Saúde que monitora fatores de risco para doenças crônicas nas capitais brasileiras, e foram divulgados recentemente em comunicações oficiais do governo federal e em reportagens da Agência Brasil. O cenário reforça a preocupação de autoridades sanitárias com o avanço de doenças crônicas não transmissíveis no país.
De acordo com o Ministério da Saúde, o crescimento da hipertensão ocorre em paralelo ao aumento expressivo de diabetes e obesidade. Esse conjunto de doenças impacta diretamente o sistema de saúde e eleva o risco de complicações cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Dados do Vigitel mostram avanço consistente da hipertensão
O Vigitel acompanha a evolução da hipertensão no Brasil desde 2006, com base em entrevistas telefônicas realizadas anualmente nas capitais e no Distrito Federal. Os dados mais recentes indicam que cerca de três em cada dez adultos relatam já ter recebido diagnóstico médico de pressão alta.
Essas informações, divulgadas pelo Ministério da Saúde e repercutidas pela Agência Brasil, apontam uma tendência de crescimento contínuo ao longo dos últimos anos. O avanço ocorre de forma gradual, porém constante, o que dificulta a reversão do quadro sem políticas públicas de longo prazo.
Além disso, o levantamento mostra que a hipertensão se mantém como uma das condições crônicas mais prevalentes no país. Mesmo com maior acesso ao diagnóstico, muitos brasileiros ainda descobrem a doença tardiamente, após o surgimento de complicações.
Relação direta com diabetes e obesidade
Os dados do Vigitel também evidenciam a relação entre hipertensão, diabetes e obesidade. Segundo o Ministério da Saúde, o número de brasileiros com diabetes cresceu 135% em 18 anos. Ao mesmo tempo, os índices de excesso de peso e obesidade seguem em trajetória de alta.
Essas doenças compartilham fatores de risco semelhantes, como alimentação inadequada, consumo excessivo de sal e açúcar, sedentarismo e estresse. Quando associadas, elas aumentam de forma significativa a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular.
Especialistas alertam que o controle isolado da hipertensão se torna mais difícil quando o paciente também apresenta obesidade ou diabetes. Por isso, as estratégias de prevenção precisam considerar o conjunto dessas condições.
Perfil dos hipertensos e diferenças entre grupos
Os dados do Vigitel mostram que a hipertensão é mais frequente em faixas etárias mais avançadas. No entanto, o crescimento entre adultos mais jovens tem chamado a atenção de pesquisadores e gestores públicos. Esse movimento reflete mudanças nos hábitos de vida da população ao longo das últimas décadas.
Além da idade, fatores sociais e econômicos influenciam a prevalência da doença. Pessoas com menor escolaridade tendem a apresentar índices mais elevados de hipertensão, o que aponta desigualdades no acesso à informação, à prevenção e aos serviços de saúde.
Também existem diferenças entre homens e mulheres. Em geral, os homens apresentam maior prevalência em idades mais baixas. Já entre as mulheres, os diagnósticos se tornam mais frequentes após a menopausa, período marcado por alterações hormonais.
Impacto no sistema de saúde preocupa gestores
O avanço da hipertensão pressiona o Sistema Único de Saúde, especialmente na atenção primária e no atendimento de média e alta complexidade. O tratamento de complicações cardiovasculares representa uma parcela relevante dos custos em saúde pública.
Segundo o Ministério da Saúde, a maior parte das internações por AVC e infarto está associada a fatores de risco como pressão alta não controlada. Por isso, o fortalecimento da prevenção é visto como estratégia essencial para reduzir gastos e melhorar a qualidade de vida da população.
Governo lança programa para frear doenças crônicas
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde anunciou o programa Viva Mais Brasil, com investimento de R$ 340 milhões. A iniciativa, divulgada em janeiro, tem como foco a promoção da saúde e a prevenção de doenças crônicas, com ações voltadas à alimentação saudável, à prática de atividade física e à redução do sedentarismo.
O programa prevê apoio a estados e municípios, campanhas educativas e fortalecimento da atenção básica. A proposta é atuar antes do agravamento das doenças, reduzindo a necessidade de tratamentos mais complexos no futuro.
Além disso, o governo pretende utilizar os dados do Vigitel como base para orientar políticas públicas mais direcionadas, focadas nos grupos com maior risco.
Diagnóstico precoce e mudança de hábitos são decisivos
Especialistas ressaltam que a hipertensão pode ser controlada na maioria dos casos. O diagnóstico precoce, aliado ao acompanhamento médico regular, reduz significativamente o risco de complicações. No entanto, muitos brasileiros ainda desconhecem que têm pressão alta.
Medidas como redução do consumo de sal, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e abandono do tabagismo têm impacto direto na prevenção e no controle da doença. Apesar disso, a adesão da população a esses hábitos ainda representa um desafio.
Com quase 30% dos adultos afetados, segundo dados do Vigitel divulgados pelo Ministério da Saúde, a hipertensão se consolida como um dos principais problemas estruturais de saúde pública no Brasil.
