Guerra no Oriente Médio eleva petróleo a US$ 100 e pressiona inflação global

Guerra no Oriente Médio eleva petróleo a US$ 100 e pressiona inflação global

Pouco mais de uma semana após o início das hostilidades entre Estados Unidos, Israel e Irã, o conflito já deixa marcas profundas na economia global. O petróleo tipo Brent ultrapassou US$ 100 por barril. Trata-se do maior patamar desde agosto de 2022. Além disso, bolsas internacionais despencaram e os reflexos já chegaram aos postos de combustível no Brasil. O cenário, segundo especialistas, pode se agravar caso a guerra se prolongue.

O petróleo no centro da crise

O principal gatilho da turbulência econômica foi o virtual fechamento do Estreito de Ormuz. Por essa hidrovia passa aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. O governo iraniano passou a ameaçar navios que tentassem atravessar o estreito. Assim, o tráfego marítimo da região caiu 90%, segundo consultorias especializadas.

Em 27 de fevereiro, véspera do início das hostilidades, o Brent estava em torno de US$ 70 por barril. Na semana seguinte, o preço saltou para acima de US$ 100. Dessa forma, o conflito produziu um dos choques petrolíferos mais bruscos dos últimos anos. A Agência Internacional de Energia (AIE) classificou a guerra como responsável pela maior interrupção de oferta já registrada no mercado global de petróleo. Os EUA liberaram 172 milhões de barris de suas reservas estratégicas. Ainda assim, o barril fechou no patamar elevado ao fim desta quinta-feira (12).

Bolsas em queda e pressão inflacionária

Os mercados financeiros reagiram com forte aversão ao risco. Em Nova York, os três principais índices fecharam no vermelho. O Dow Jones recuou 1,56%, o S&P 500 cedeu 1,52% e o Nasdaq encerrou com queda de 1,78%. As companhias aéreas foram as mais penalizadas. Por outro lado, as grandes petrolíferas avançaram. No Brasil, o Ibovespa voltou a perder os 180 mil pontos. O dólar, por sua vez, superou R$ 5,24, em meio à disparada do petróleo e a um IPCA acima do esperado.

Além disso, o cenário reacendeu preocupações com a inflação global. Consequentemente, investidores revisaram para baixo as expectativas de cortes nas taxas de juros nos Estados Unidos. Economistas alertam que o choque de oferta no petróleo tende a se transmitir aos preços de energia, transporte e alimentos em poucos meses.

Diesel sob pressão no Brasil

O impacto chegou rapidamente aos postos brasileiros, sobretudo no preço do diesel. De acordo com o Índice de Preços Edenred Ticket Log, o diesel S-10 subiu em média 7,72% na primeira semana de março. O levantamento abrange dados de 21 mil postos. Na prática, o preço passou de R$ 6,22 para R$ 6,70 por litro. O diesel S-500, por sua vez, avançou 6,10%, chegando a R$ 6,61 por litro. Já a gasolina registrou variação menor, de 1,24%.

A alta ocorre mesmo sem qualquer reajuste anunciado pela Petrobras, que não altera o preço do diesel há mais de 300 dias. Entretanto, refinarias privadas e distribuidoras têm liberdade para seguir parâmetros internacionais. A Refinaria de Mataripe, na Bahia, antecipou-se e reajustou o diesel S-10 em 17,4% já no dia 5 de março. Consequentemente, o Nordeste registrou as maiores altas regionais, com o diesel comum chegando a R$ 7,22 por litro.

O Brasil importa entre 20% e 30% do diesel que consome internamente. Portanto, o mercado doméstico é particularmente sensível a tensões geopolíticas que afetam rotas como o Estreito de Ormuz. Qualquer prolongamento do conflito tende, assim, a ampliar a pressão sobre os combustíveis e, por extensão, sobre o frete em toda a cadeia produtiva. Em resposta, o governo Lula anunciou a zeragem de impostos federais sobre o diesel como medida emergencial.

Efeitos além do petróleo

O conflito, todavia, vai além dos combustíveis. A BBC News aponta três frentes econômicas adicionais sob pressão: fertilizantes, medicamentos e insumos industriais. A Qatar Energy suspendeu operações após ataques ao fornecimento de gás. Além disso, o Estreito de Ormuz é rota de um terço do suprimento mundial de fertilizantes nitrogenados. Somada à decisão da China de restringir exportações de ureia até agosto de 2026, a escassez já faz os preços dispararem nos EUA. Segundo o Programa Mundial de Alimentos da ONU, isso pode agravar a fome em países vulneráveis em um a três meses.

Da mesma forma, o aeroporto e o porto de Dubai — hubs logísticos fundamentais para a distribuição global de medicamentos — sofreram danos nos ataques iranianos. A cadeia farmacêutica indiana abastece mais de 200 países, incluindo o Brasil, e depende criticamente dessas infraestruturas. Por fim, a interrupção no fornecimento de enxofre ameaça a produção de chips e eletrônicos. Trata-se de um momento especialmente delicado, dado o aumento da demanda impulsionada pela inteligência artificial. Sobretudo, analistas alertam que os efeitos cumulativos do conflito podem se aprofundar nas próximas semanas caso não haja cessar-fogo.

Lia

Lia

Lia é uma apaixonada redatora e exploradora das palavras, com formação em Comunicação Social. Com experiência em diversos meios digitais, Lia traz um olhar curioso e uma escrita envolvente para nossos leitores.

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